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sábado, 27 de setembro de 2008

Coletânea infantil mistura Xuxa e Marcos Valle

CRÍTICA DE CD

Disco: Dr. Sabe-Tudo
Artista: Vários
Gravadora: Som Livre
Cotação: ¯¯¯¯¯

Jornalista e pesquisador musical especializado nas cantoras brasileiras, Rodrigo Faour aventura-se no universo infantil ao escolher o repertório de Dr. Sabe-Tudo, CD com 15 boas faixas mas que carece de identidade.

A presença de muitos artistas do pop-rock e da MPB, como Marcelo D2 (Loadeando, dueto com o filho Stephan), Paula Toller (Oito Anos, famosa também com Adriana Calcanhotto), Rita Lee (Tatibitati) e Marcos Valle (Bicicleta), parece ser uma tentativa de diferenciar o CD de outros do gênero, conferindo-lhe um ar elegante e adulto. Mas essa característica se perde diante da Turma do Balão Mágico (Superfantástico, com Djavan), Xuxa e Renato Aragão (juntos em Piruetas), figurinhas fáceis em discos infantis.

Além disso, várias faixas constam também no CD Superfantástico – Quando Eu Era Pequeno, de 2002. A Casa, com o Capital Inicial, e Hollywood, com Los Hermanos, são repetidas. Já a citada Superfantástico, O Carimbador Maluco (Raul Seixas), Lindo Balão Azul (Moraes, Baby, Ricardo Graça Mello, Bebel e Aretha) e Xixi nas Estrelas (Guilherme Arantes) aparecem aqui nas versões originais.

Com isso, as boas surpresas são a faixa-título, com Rubinho Jacobina, da Orquestra Imperial; Coisa de Família, com a Companhia Itinerante; e o ótima samba Pique-Esconde na Internet, com Pedro Miranda, do Grupo Semente, e participação de Lucinha Lins. Se Rodrigo tivesse seguido apenas esse caminho, o resultado poderia ser bem mais que uma boa coletânea.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Olivia Hime homenageia Ruy Guerra em CD/DVD poético-teatral

CRÍTICA DE DVD

Disco: Palavras de Guerra – Ao Vivo
Artista: Olivia Hime
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: ¯¯¯¯¯


Discos temáticos não são novidade para Olivia Hime. Antes do autoral Canção Transparente, ela dedicou álbuns inteiros a Dorival Caymmi (Mar de Algodão) e Chiquinha Gonzaga (Serenata de uma Mulher), entre outros.

Em Palavras de Guerra, de 2007, o homenageado foi o compositor e cineasta Ruy Guerra. A turnê rendeu este CD/DVD ao vivo, gravado no Sesc Santana (SP), no ano passado.

Ao vivo, Olivia Hime tenta aprofundar a experiência do estúdio, ao incluir canções que não entraram naquele CD, como Fado Tropical e Ana de Amsterdã, parcerias de Ruy com Chico Buarque, e ao trazer para o disco o próprio Guerra, que faz uma narração pré-gravada em Fortaleza (outra parceria com Chico) e é tema de um documentário.


Mas a produção sofisticada de Olivia e Francis Hime, somada à natureza acústica dos arranjos e ao grande número de canções com forte cunho dramático, a exemplo de Carta e Em Tempo de Adeus, conferem ao álbum um tom intimista demais, o que é acentuado pela ausência dos convidados do CD de estúdio. Nem os melhores momentos do disco, como o belo acordeom de João Carlos Coutinho na faixa Meu Homem e o dueto com a harpista Cristina Braga em Entrudo, escondem a falta de ritmo, fundamental para um trabalho ao vivo, que pressupõe a participação do público.

Apesar da banda extremamente talentosa e da interpretação teatral de Olivia Hime, num set list costurado como um enredo, Palavras de Guerra Ao Vivo agrada mais como um produto poético-literário do que musical. Num disco que tem guerra no título, o excesso de paz foi uma tática errada.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Terceiro CD de Cláudio Henrique mostra a evolução do compositor

CRÍTICA DE CD

Disco: Intruso
Artista: Cláudio Henrique
Gravadora: Independente
Cotação: ¯¯¯¯¯

Ao pedir cuidado ao ouvinte na contracapa de Intruso, porque “este é um disco de compositor”, Cláudio Henrique antecipa que seu terceiro álbum mantém a veia autoral e o bom humor dos antecessores, CH e #2. Intruso é bem-humorado, sim, especialmente nos ótimos sambas Mixaria (dona dos debochados versos “Antes que você me julgue/ Um sujeito sem solução/ Aprenda que pra cego/ Não existe contramão”) e Chá de Sumiço – Partido de Altos e Baixos, gravadas com bambas do naipe de Alceu Maia (banjo e cavaquinho) e Beto Cazes (percussão).

Mas é nas canções que Cláudio Henrique mostra real amadurecimento como compositor e produtor. As letras de Matilha e Labirinto de Creta (esta com participação do DJ Cleston, dos Detonautas, fazendo scratch de Jack Soul Brasileiro, de Lenine) seguem outra tendência dos discos anteriores, a narração de crônicas urbanas, algo em que Djones, apelido de CH, tem se mostrado especialista. A evolução mostra-se ainda maior em Catorze Cores, belíssima canção acompanhada pela gaita de Cláudio.

O flamenco Erro 404 – A Busca, o tango-rock Márcia Maria e o blues Cicatriz são outros destaques de um álbum que confirma o talento demonstrado por Cláudio Henrique já na estréia, em 2002, e o coloca alguns degraus acima na busca por um merecido reconhecimento.